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ESPECIAL

Da cidade dos rios à cidade das linhas retas: como a mudança da sede redesenhou Barcarena

Urbanismo inspirado em Goiânia marcou a transferência da sede e inaugurou uma nova fase na história do município

Barcarena sempre foi um território conectado ao movimento das águas. Durante séculos, rios, furos e igarapés foram mais do que paisagem: eram caminhos, mercado, elo entre pessoas e povoados. Antes mesmo de existir como município, o território já se organizava em aldeias, vilas e rotas fluviais que moldaram a vida cotidiana na Amazônia. Aos 82 anos de emancipação política, completados nesta terça-feira (30), a cidade carrega no próprio traçado urbano as marcas de uma decisão que mudou sua história: a transferência da sede municipal e a adoção de um modelo de cidade planejada, inspirado em Goiânia.

Desde o período colonial, Barcarena passou por transformações profundas. Povoados ribeirinhos e distritos que hoje compõem o município tiveram seus caminhos convertidos em ruas, ainda que a principal forma de deslocamento continuasse sendo o rio. Vila do Conde e a antiga Vila Colonial de São Francisco Xavier despontam como os primeiros núcleos urbanos onde trilhas estreitas, por onde circulavam pessoas, carros de boi e mercadorias, começaram a ganhar feições urbanas.

Mas foi em 1960, com a decisão de transferir a sede administrativa para as margens do Rio Mucuruçá, que Barcarena passou a ser desenhada com régua e esquadro.

A cidade que “andou”

A mudança não foi apenas geográfica. Foi simbólica. Barcarena, que já havia se formado em Vila do Conde e se expandido em São Francisco, “atravessou” o rio para se reinventar em outro ponto do mesmo território. A urbe se desterritorializou para, em seguida, se reterritorializar — agora como Barcarena-Sede.

A proposta partiu ainda nos anos 1940, logo após a emancipação do município, em 1943. À época, os governantes defendiam que a sede administrativa precisava estar em um local com melhores condições para o crescimento econômico. O argumento foi formalizado pelo então prefeito Frederico Vasconcelos, no documento “Exposição de motivos para a mudança da sede do governo municipal de Barcarena”. Nele, justificava-se a transferência da antiga Vila de São Francisco Xavier para um terreno plano, enxuto, com margens sólidas e plenamente acessível a embarcações de pequeno e grande porte, um ponto estratégico nas rotas fluviais que conectavam o Amazonas a outros municípios do Pará.

Imagem do início da construção de umas das ruas de Barcarena-Sede. Fonte: Guimarães, 1999, p. 103.

O processo, no entanto, foi lento. O marco simbólico da nova fase ocorreu apenas em 4 de fevereiro de 1962, com a inauguração do prédio da Prefeitura Municipal, durante o governo de Raimundo Alves da Costa Dias. Coube aos prefeitos seguintes — Laurival Campos Cunha (1963–1967) e Claudemiro Correia Miranda (1967–1971) — transformar o projeto em cidade viva, incentivando a migração de famílias para a chamada Cidade Nova e implantando os primeiros serviços urbanos.

Foi nesse período que começaram a chegar serviços como abastecimento de água, a eletrificação domiciliar por gerador a diesel, o mercado municipal e uma doca para o escoamento e recebimento de mercadorias. A nova sede começava, enfim, a funcionar.

Goiânia como referência

O desenho da cidade foi confiado ao urbanista Francisco Cronje Bezerra da Silveira, então Inspetor Geral de Geografia e Estatística. Coube a ele traçar o plano urbanístico da nova Barcarena, inspirado no modelo ortogonal de Goiânia, capital de Goiás e símbolo de modernidade no Brasil do século XX.

A proposta era clara. Ao defender a mudança da sede, Cronje da Silveira argumentava que, já que se construiria uma nova cidade, ela deveria nascer moderna, organizada, capaz de refletir um ideal de progresso. Goiânia surgia como exemplo: não para transformar Barcarena em metrópole, mas para oferecer aos “porvindouros” um retrato do grau de civilização almejado naquele momento histórico.

O resultado foi um traçado de linhas retas, ruas largas e quadras bem definidas, formando conjuntos de quadrados e retângulos inscritos em um grande retângulo urbano. Os lotes, em sua maioria, seguiam medidas padronizadas, 10 metros de frente por 30, 40 ou 50 de profundidade. A topografia plana da área foi decisiva para a escolha do local, favorecendo a aplicação do plano geométrico.

Essa ruptura marcou o fim das linhas sinuosas herdadas dos antigos caminhos indígenas, jesuítas e ribeirinhos. A cidade que antes crescia organicamente passou a obedecer a um desenho racional, importado, mimético, eficiente, mas pouco original do ponto de vista estético.

A avenida que guarda a memória

Poucos lugares traduzem tão bem essa virada quanto a Avenida Conde da Silveira. Construída no início da década de 1960, na fronteira da sede com o rio Mucuruçá, a via testemunhou um tempo em que a cidade ainda estava voltada para a água, quando barcos concentravam o fluxo de pessoas, mercadorias e decisões.

Batizada em homenagem a Francisco Cronje Bezerra da Silveira, a avenida tornou-se o eixo inicial da nova cidade. Ali se fixaram os primeiros moradores e se instalaram os principais prédios públicos: a Prefeitura Municipal, a primeira escola pública estadual — hoje sede do Banpará — e a Igreja Matriz dedicada a Nossa Senhora de Nazaré. A rua, mais do que endereço, tornou-se documento urbano da transição entre a Barcarena dos rios e a Barcarena das avenidas.

Entre Mondrian e a Amazônia

A geometria de Barcarena-Sede conta com ruas paralelas e perpendiculares que permitem atravessar o centro de ponta a ponta por travessas verticais e vias horizontais, criando uma legibilidade urbana diferenciada na Amazônia. O efeito visual lembra, para alguns estudiosos, as composições neoplasticistas de Piet Mondrian, com seus planos ortogonais, retângulos e quadrados organizados em equilíbrio rigoroso.

Assim como nas telas do artista holandês, a repetição modular cria regularidade e ordem, mas também revela tensões entre simplicidade e complexidade. No papel, o plano parecia definitivo. Na prática, a cidade continuou a se expandir, esticando e desmontando suas linhas retas à medida que se conectava, por pontes e trilhas irregulares, a bairros, praias, rios e igarapés.

Hoje, Barcarena é o resultado desse encontro, nem sempre pacífico, entre o projeto moderno e a realidade amazônica. Uma cidade que nasceu dos rios, foi redesenhada pela geometria e segue se reinventando, carregando nas ruas, avenidas e nomes próprios a memória viva de suas transformações.

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA: CARDOSO, SEBASTIÃO DE JESUS BARCARENA CIDADE-OBRA: CARTOGRAFIA DE UMA CIDADE ENTONTECIDA; LIVRO “BARCARENA, CIDADE DA GENTE” (JACOBSON ESTUMANO; JOÃO POÇA; LUIZ GUIMARÃES; ROBERTO ANJOS)

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