O governo do Pará apresentou nesta quarta-feira (11), em Belém, a futura Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena como um dos principais instrumentos para ampliar a presença do estado no comércio internacional e atrair novos investimentos industriais. O tema foi debatido durante o Comex Day, encontro promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para capacitar profissionais que atuam no apoio à internacionalização de pequenos negócios.
O evento reuniu colaboradores do Núcleo de Internacionalização do Sebrae Pará (NISP), responsável por orientar empresas com potencial exportador, preparar empreendedores para acessar mercados externos e ampliar a presença de produtos paraenses no comércio global.
Representando a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), o diretor de Relações Estratégicas Institucionais e responsável pela implantação da ZPE de Barcarena, Pádua Rodrigues, participou de uma rodada de conversa dedicada a apresentar o potencial do projeto e seus diferenciais competitivos para empresas interessadas em exportar.

Durante o debate, foram detalhados os principais benefícios oferecidos pelo regime das Zonas de Processamento de Exportação, como incentivos fiscais, regime aduaneiro diferenciado e condições logísticas voltadas a aumentar a competitividade das indústrias instaladas nesses polos produtivos.
Segundo Rodrigues, a iniciativa busca também integrar empresas locais às cadeias produtivas voltadas ao mercado externo.
“A ZPE de Barcarena representa um instrumento estratégico para ampliar a competitividade do Pará no comércio internacional. O governo do Estado tem trabalhado para criar um ambiente favorável à atração de investimentos e à instalação de indústrias e empresas prestadoras de serviços voltados à exportação, permitindo que empresas paraenses se integrem a esse movimento e agreguem valor à produção regional”, afirmou.
A proposta, segundo ele, é permitir que empresas de diferentes portes, incluindo pequenas e médias, participem do ecossistema produtivo da ZPE como fornecedoras de insumos, serviços e soluções logísticas para empreendimentos industriais instalados no complexo.
Outro ponto destacado foi o potencial da zona de exportação para estimular a verticalização das principais cadeias econômicas do Pará. A estratégia consiste em transformar matérias-primas produzidas no estado em produtos industrializados antes da exportação, agregando valor à produção e ampliando a geração de emprego e renda.
Durante o encontro, participantes apresentaram questionamentos sobre o funcionamento do regime das ZPEs e sobre as possibilidades de inserção de empresas locais em arranjos produtivos voltados ao comércio exterior. As dúvidas foram respondidas pelo representante da Codec, que detalhou aspectos operacionais, logísticos e institucionais do projeto.
A mesa foi mediada pela consultora do Sebrae Lucélia Guedes. A abertura do evento contou com a participação de Leda Magno, coordenadora da Unidade de Relacionamento Empresarial do Sebrae Pará, e de Roberto Bellucci, analista empresarial da instituição.
Leda destacou a importância da articulação entre instituições públicas e entidades de apoio ao empreendedorismo para ampliar as oportunidades de internacionalização.
“Sabemos que a internacionalização de pequenos negócios ainda apresenta desafios relacionados à infraestrutura, à preparação das empresas e ao acesso a mercados. Por isso, é fundamental caminhar junto com instituições parceiras que contribuem para fortalecer esse ambiente de negócios”, disse.
Lucélia Guedes acrescentou que a troca de experiências entre órgãos públicos e instituições de apoio empresarial contribui para ampliar o conhecimento técnico das equipes que atuam diretamente com empresas exportadoras.
“Quando reunimos instituições estratégicas como a Codec para apresentar instrumentos como a ZPE de Barcarena, ampliamos o entendimento sobre as oportunidades existentes no comércio internacional e aproximamos ainda mais os pequenos negócios dessas possibilidades”, afirmou.
A programação também contou com a participação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). A diretora de Bioeconomia do órgão, Mariana Oliveira, apresentou iniciativas ligadas ao Parque de Bioeconomia e às oportunidades de inserção internacional de produtos da sociobiodiversidade amazônica.
Projeto âncora mineral
A ZPE de Barcarena será administrada pela Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Barcarena (Cazbar), subsidiária integral da Codec responsável pela implantação e gestão do empreendimento.
O projeto já conta com uma empresa âncora confirmada: a mineradora canadense Bravo Mining Corp., que pretende instalar no local uma unidade de fundição para processar concentrados de seu depósito de paládio, platina, ródio, ouro e níquel localizado na Província Mineral de Carajás.
O empreendimento está ligado ao Projeto Luanga, considerado o primeiro grande projeto âncora mineral associado a uma ZPE no Brasil desde a criação do modelo, em 1988.
Os chamados minerais críticos , frequentemente associados a tecnologias de baixo carbono , são essenciais para a produção de equipamentos ligados à transição energética, como baterias, turbinas eólicas, painéis solares e veículos elétricos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a demanda global por esses insumos deve crescer com a expansão das tecnologias limpas. O Pará, que concentra parte significativa das reservas minerais do país, aparece como um dos principais fornecedores potenciais desses materiais no Brasil.
Para o governo estadual, a implantação da ZPE de Barcarena pode abrir um novo ciclo de industrialização mineral, ampliando as exportações, estimulando a agregação de valor à produção e fortalecendo o desenvolvimento econômico regional.


































