A semana começou com forte repercussão em Barcarena após o reajuste da tarifa do transporte coletivo municipal. A passagem, que custava R$ 3,50, passou a ser cobrada a R$ 4,60, um aumento de R$ 1,10 anunciado pelas cooperativas responsáveis pelo serviço no município.
Inicialmente, os usuários foram informados por meio de cartazes fixados nos coletivos de que o novo valor entraria em vigor no dia 12 de janeiro. No entanto, na data prevista, o reajuste não foi aplicado. Dias depois, novos avisos indicaram que o aumento passaria a valer no domingo (1º), quando, de fato, a nova tarifa começou a ser cobrada.
Nesta segunda-feira (2), durante sessão na Câmara Municipal de Barcarena, vereadores discutiram o aumento da passagem. O tema ganhou destaque mesmo diante do posicionamento do Departamento Municipal de Trânsito de Barcarena (Demutran), que informou não haver autorização do Poder Executivo para o reajuste.
O vereador Júnior Cravo subiu à tribuna e repercutiu o assunto, destacando relatos de usuários sobre falhas na oferta do serviço e defendendo a abertura de diálogo entre o município e as cooperativas de transporte. Em seguida, o vereador JP Bozza, ex-diretor do Demutran, questionou a veracidade do aumento e afirmou que qualquer reajuste precisa passar por trâmite técnico entre o município e as cooperativas para ser autorizado pelo órgão de trânsito.
“As cooperativas têm um acordo com o Ministério Público para operar, e todo aumento de tarifa só é válido mediante um estudo técnico prévio que justifique esse reajuste”, afirmou.
Segundo o parlamentar, o Demutran não recebeu qualquer estudo que respaldasse a mudança no valor da passagem.
“Fiz uma ligação para a diretora [Thayse Nascimento] e perguntei se esse estudo foi apresentado ao departamento. Ela informou que não, que o aumento foi divulgado pelas cooperativas, mas que está suspenso. Não pode ser cobrado até que esse estudo seja apresentado. Se estão cobrando, estão cobrando de forma irregular”, destacou.
Na mesma sessão, o vereador Gladston Lopes reforçou que não há autorização do Executivo Municipal para o reajuste e classificou a divulgação do novo valor como “propaganda enganosa”.
O Portal Barcarena acompanhou o caso desde os primeiros comunicados e noticiou o reajuste ainda no domingo. Durante a discussão na Câmara, a própria reportagem foi procurada por parlamentares sobre a publicação que informava o aumento da passagem, sob o argumento de que o Demutran não havia confirmado oficialmente a mudança.
Mesmo assim, a equipe do Portal Barcarena voltou às ruas nesta segunda-feira, esteve em paradas de ônibus da cidade e confirmou, junto a usuários e cobradores, que a tarifa de R$ 4,60 está sendo cobrada normalmente no transporte coletivo.

De acordo com as cooperativas, o último reajuste da passagem havia ocorrido em 2022, há quatro anos. Ainda assim, o novo valor tem dividido opiniões entre os passageiros, principalmente diante das reclamações recorrentes sobre a qualidade do serviço.
A usuária Danielle Monteiro já pagou o novo valor nesta segunda-feira e afirmou que, apesar de esperar pelo reajuste, o impacto será sentido no orçamento.
“Eu paguei, a partir de hoje, os R$ 4,60 na passagem. Subi na van e só confirmei com a moça se já tinha aumentado. Ela falou que sim e eu fiz o pagamento. Mas o aumento prejudica um pouquinho, principalmente porque o valor que a gente paga não condiz com o transporte. Os ônibus hoje em dia têm muitos problemas. No meu ponto de vista, esse aumento foi desnecessário”, disse.Danielle utiliza o transporte coletivo diariamente para trabalhar e afirma que o custo mensal deve pesar ainda mais no bolso.
“Pesa bastante, porque eu pego ônibus todos os dias, de segunda a sábado, para vir trabalhar”, relatou, ao mostrar o comprovante do pagamento feito horas antes.

































