Um vídeo aéreo que circulou nas redes sociais nos últimos dias chamou a atenção para a intensa movimentação na poligonal do Porto de Vila do Conde, em Barcarena, no Pará. As imagens, compartilhadas pelo professor de pós-graduação e MBA em Agronegócios e Comércio Exterior Alê Delara, mostram dezenas de navios fundeados na região portuária, à espera de atracação, um retrato do peso logístico que o complexo vem assumindo no escoamento da produção brasileira.
Este video está circulando, hoje, eu vários grupos de WhatsApp destacando a quantidade de navios que estão no porto de Barcarena aguardando o embarque de soja
— Alê Delara (@aledelara_) January 29, 2026
Total relação com o conteúdo do 1ª Hora do Agro de ontem, recortado no video do link https://t.co/3NGrQrfHhW pic.twitter.com/ueyFHVEZpF
Maior porto da Região Norte, Vila do Conde tem sua operação historicamente ancorada na vocação mineral. Em 2025, a cadeia do alumínio respondeu por mais de 90% das exportações do município. A alumina e seus derivados concentraram 60,3% das vendas externas, enquanto o alumínio em formas brutas, como lingotes primários, representou 32,5%, segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Mas o avanço do agronegócio consolidou o porto paraense também como peça-chave na logística de grãos. O complexo de Vila do Conde esteve entre os principais polos exportadores de soja e milho entre 2024 e 2025, acompanhando o crescimento dos embarques pelo Arco Norte, rota estratégica para reduzir custos e distâncias em relação aos portos do Sul e Sudeste.
De acordo com o Boletim Logístico – Ano IX, divulgado em janeiro de 2026 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil exportou, em 2025, 172,3 milhões de toneladas de soja, milho e farelo de soja. O volume representa um aumento de 6,21% em relação a 2024, quando os embarques somaram 161,6 milhões de toneladas. O crescimento foi impulsionado tanto pela ampliação da produção quanto por uma reconfiguração positiva da logística portuária, com destaque para o Arco Norte e para o Porto de Paranaguá, no Paraná.
No caso do milho, as exportações brasileiras em grãos alcançaram 40,9 milhões de toneladas em 2025, acima das 39,7 milhões registradas no ano anterior. Os portos do Arco Norte responderam por 39,3% do volume escoado, enquanto o Porto de Santos concentrou 35,8%. Paranaguá ampliou de forma expressiva sua participação, chegando a 12,3% dos embarques. Barcarena teve papel de destaque nesse cenário: pelo porto foram embarcadas 6,75 milhões de toneladas de milho, o equivalente a 16,5% das exportações nacionais, o maior volume entre os portos do Arco Norte.
A soja seguiu trajetória semelhante. As exportações brasileiras do grão somaram 108,1 milhões de toneladas em 2025, superando as 98,8 milhões de toneladas do ano anterior. Os portos do Arco Norte responderam por 36,2% das exportações nacionais, acima dos 34,8% registrados em 2024. Barcarena exportou 9,27 milhões de toneladas de soja, o que corresponde a 8,6% da participação nacional, consolidando-se como o segundo maior exportador do Arco Norte, atrás apenas de Itaqui, no Maranhão.
Além de grãos e minérios, o porto também é relevante na entrada de insumos agrícolas. As importações brasileiras de fertilizantes atingiram 45,5 milhões de toneladas entre janeiro e dezembro de 2025, um novo recorde histórico e alta de 2,68% em relação ao ano anterior. O volume sinaliza a disposição do produtor rural em ampliar área plantada e produtividade. Os portos do Arco Norte movimentaram 8,27 milhões de toneladas no período, acima das 7,5 milhões de toneladas registradas em 2024.
Com profundidade que varia de 12 a 23 metros, Vila do Conde dispõe de berços capazes de receber navios de grande porte, além de acesso fluvial, marítimo e rodoviário e áreas disponíveis para expansão.
































