Brasil, Noruega e Holanda deram mais um passo na articulação para implantação do primeiro corredor marítimo verde do Atlântico Sul, iniciativa que pretende reduzir as emissões de carbono no transporte marítimo entre a América do Sul e a Europa. O projeto foi apresentado nesta segunda-feira (25), durante evento realizado na Embaixada da Noruega, em Brasília, onde os três países divulgaram um estudo técnico e econômico sobre rotas estratégicas para navegação de baixa emissão.
Entre os corredores avaliados, a rota entre o Porto de Vila do Conde, no Pará, e Karmøy, na Noruega, aparece como a mais estratégica para a parceria. Segundo o estudo elaborado pela consultoria DNV, o trajeto concentra 66% das emissões de CO₂ nas operações marítimas entre Brasil e Noruega, principalmente no transporte de granéis como minério, alumina, soja e celulose.
O levantamento é resultado de mais de um ano de cooperação entre os governos envolvidos e analisa caminhos para tornar viável o uso de combustíveis sustentáveis no setor naval até 2040. Além da rota Vila do Conde-Karmøy, também foram estudadas as conexões Santos-Rotterdam e Pecém-Rotterdam.
A proposta dos corredores verdes é criar rotas marítimas operadas com combustíveis de baixo ou zero carbono, reduzindo o impacto ambiental do comércio internacional. O estudo avaliou três alternativas consideradas estratégicas para essa transição: biodiesel, amônia verde e metanol verde.
Na avaliação técnica, o biodiesel aparece como solução mais imediata por poder ser utilizado nos motores atuais sem grandes adaptações. Já a amônia verde e o metanol verde exigem novos investimentos em embarcações, sistemas de abastecimento e infraestrutura portuária especializada.
Apesar dos custos ainda superiores aos combustíveis fósseis, os governos envolvidos apostam no endurecimento das regras ambientais internacionais para acelerar a transição energética no setor marítimo. As novas diretrizes da Organização Marítima Internacional (IMO) preveem penalidades financeiras para embarcações com altos índices de emissão de carbono, o que deve aumentar a competitividade dos combustíveis sustentáveis nos próximos anos.
O estudo também destaca o potencial brasileiro para produção de biocombustíveis e aponta Vila do Conde entre os portos nacionais com capacidade estratégica para futuras operações ligadas à economia verde e à descarbonização logística.
Durante o encontro, representantes dos três países defenderam maior integração entre governos, armadores, portos e donos de carga para viabilizar a implantação dos corredores verdes. A expectativa é que a cooperação avance para novos investimentos em pesquisa, desenvolvimento de combustíveis sustentáveis e adaptação da infraestrutura marítima nos próximos anos.
Com informações do Valor Economico
































